Nossa História
No início da década de 70, o cenário vigente do Semiárido Tropical brasileiro era de deficiência de conhecimentos
tecnológicos, sendo este um dos principais entraves para o desenvolvimento da agropecuária. As pesquisas experimentais realizadas, com o fim de equacionar estes problemas, caracterizavam-se por iniciativas de algumas instituições, sem o enfoque global dos problemas. Neste contexto, foi criado o Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semiárido – CPATSA, em 23 de junho de 1975, por meio da Deliberação 0045/75, como empresa pública, vinculada ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, dotada de personalidade jurídica de direito privado, com mandato de atuar no Semiárido Tropical brasileiro.
Neste período, o CPATSA teve como objetivo promover o desenvolvimento rural do Semiárido Tropical brasileiro, procurando conferir eficiência produtiva ao setor agropecuário, reduzindo custos de produção e aumentando a oferta de alimentos pelo uso de tecnologias que apresentassem viabilidade econômica, impactos sociais positivos e conservação ambiental, evitando o êxodo rural e a pobreza relativa. Para atingir este objetivo, o CPATSA organizou seu programa de pesquisa em quatro temas básicos:
Inventário dos Recursos Naturais e Socioeconômicos;
Desenvolvimento de Sistemas de Produção para Áreas Irrigadas;
Desenvolvimento de Sistemas de Produção para Áreas de Sequeiro;
Manejo da Caatinga.
Este programa de pesquisa gerou e adaptou tecnologias que permitiram fortalecer a economia agrícola regional, propiciando melhores índices de produtividade e/ou reduzindo os riscos de perda das safras.
Ao final desta década, a Embrapa verificou a necessidade de modificar o enfoque de pesquisa até então realizada, por outro que integrava a metodologia analítica e de sistemas, visando o relacionamento estreito de pesquisadores, agentes de desenvolvimento e produtores, num procedimento de análise comum e global da experimentação e da intervenção sobre os sistemas de produção e as estruturas agrárias regionais.
Na década de 80, as pesquisas foram realizadas dentro de uma visão futurista para a época, onde os trabalhos eram reorientados para a execução de suas atividades em meio real. Neste período, foi necessário conhecer e caracterizar o meio, adotando o enfoque sistêmico de intervenção. O CPATSA iniciou as suas atividades de pesquisa junto ao produtor rural, de modo participativo, principalmente no que diz respeito à caracterização dos recursos naturais. Essa metodologia normatizou a participação dos agricultores, pesquisadores e extensionistas na definição de estratégia técnica global e de cada tecnologia. Neste novo contexto, a programação de pesquisa foi reestruturada e apoiou-se nos Programas Nacionais de Pesquisa (PNP):
Programa Nacional de Pesquisa de Avaliação dos Recursos Naturais e Sócio-Econômicos no Trópico Semiárido;
Programa Nacional de Aproveitamento dos Recursos Naturais e Sócio-Econômicos no Trópico Semiárido;
Programa Nacional de Pesquisa de Sistema de Produção.
Neste sentido, várias linhas de pesquisas foram implementadas, podendo-se citar os estudos edafoambientais, onde foi desenvolvida uma metodologia de abordagem de recursos em solos, dentro de um conceito de unidade geoambiental, que serviu de base para a realização do Zoneamento Agroecológico do Nordeste, que subsidiou ações de pesquisa, ensino e desenvolvimento dos governos federal, estaduais e municipais. Além deste, também, foram realizados estudos de acompanhamento da evolução de problemas de sais em áreas irrigadas e de fertilidade do solo e nutrição de plantas para culturas como sorgo, videira, algodão, arroz, tomate, cebola, melão e cana-de-açúcar. Outros estudos realizados referem-se ao manejo de solos, eficiência do uso da água de irrigação em fruteiras e hortaliças, tecnologias de convivência com a seca e pecuária.
A partir da década de 90, a Embrapa iniciou um processo de análise da instituição e verificou que os paradigmas iniciais da empresa já não se adequavam ao cenário vigente. Para organizar a nova forma de sua atuação, a Empresa foi buscar o planejamento estratégico, que culminou num novo Sistema de Planejamento da Pesquisa – SEP e com a implantação do programa Qualidade Total, todos dirigidos para tornar a Embrapa afinada com os desafios do Semiárido Tropical brasileiro.
A partir de 1994, com mudanças na estrutura dos sistemas de pesquisas, o CPATSA começou a sediar o Programa 09: Sistemas de Produção da Agricultura Familiar. O SEP compreendia inicialmente 16 programas de pesquisa.
Considerando a necessidade de fortalecer o nome Embrapa nas manifestações de comunicação da Empresa e padronizar a assinatura das Unidades Descentralizadas, a Resolução Normativa Nº 15/98, de 25 de agosto de 1998, criou o nome-síntese do CPATSA como Embrapa Semiárido.
O resultado do trabalho desenvolvido pela Embrapa Semiárido consolidou a idéia de “convivência com o Semiárido” em contraposição às políticas de “combate às secas”, sendo instituição pioneira no país em pesquisa nessa linha que vêm subsidiando inúmeros programas governamentais em diversos estados brasileiros, em países da África e da América Central e outros países da América do Sul.
A Embrapa Semiárido iniciou o novo milênio com suas fronteiras científicas e tecnológicas consolidadas no cenário nacional e mundial, incorporando elementos inovadores e estruturando-se no planejamento e na gestão estratégica baseados em cenários. A contextualização dos cenários considerou as características naturais e socioeconômicas do Semiárido, onde a “agricultura” passa a ser entendida num sentido amplo, contemplando a produção, o beneficiamento e/ou transformação de produtos agrossilvipastoris, aqüicolas e extrativistas, compreendendo desde processos mais simples até os mais complexos, incluindo o artesanato no meio rural, e agroindústria em seu conceito ampliado, que abrange insumos, máquinas, agropecuária, indústria e distribuição.
A agenda de pesquisa da Embrapa Semiárido está inserida em um sistema de gestão com figuras programáticas de nível tático, denominadas macroprogramas, as quais são orientadas para a gestão de carteiras de projetos e processos. Os macroprogramas possuem características específicas quanto à estrutura de suas equipes e de seus arranjos institucionais, definidos como:
Macroprograma 1 - Grandes Desafios Nacionais;
Macroprograma 2 - Competitividade e Sustentabilidade Setorial;
Macroprograma 3 - Desenvolvimento Tecnológico Incremental do Agronegócio;
Macroprograma 4 - Transferência de Tecnologia e Comunicação Empresarial;
Macroprograma 5 - Desenvolvimento Institucional;
Macroprograma 6 - Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Familiar e à Sustentabilidade do Meio Rural.
Apesar da Embrapa Semiárido ter gerado conhecimentos e tecnologias para o desenvolvimento do Semiárido Tropical brasileiro, a realidade continua se mostrando mais forte do que pressupostos, hipóteses, teorias e evidências. Certo, porém, é que as desigualdades socioeconômicas dessa região persistem. Trata-se de busca por soluções complexa, pois sua concretização não depende apenas das pesquisas desenvolvidas, mas sim de políticas governamentais sérias e do envolvimento de toda a sociedade.