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Terça Feira, 16 de Março de 2010.
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Manejo agroecológico dobra produção de milho e feijão cultivados em barragem subterrânea

Manejo agroecológico dobra produção de milho e feijão cultivados em barragem subterrânea
Explicação de manejo da barragem subterrânea

A aplicação de esterco de caprinos e ovinos é uma prática que o agricultor pode adotar para fazer dobrar a produção de milho e de feijão que costuma cultivar em área de barragem subterrânea. A adição de matéria orgânica acrescenta nutrientes que aumentam a fertilidade do solo já úmido pela técnica de captação e armazenamento de água de chuva.

Em testes realizados no Campo Experimental da Caatinga da Embrapa Semiárido, o desempenho produtivo das duas espécies cultivadas em áreas com e sem esterco é muito diferente. Os dados registrados surpreenderam a engenheira agrônoma Roseli Freire de Melo, pesquisadora da Embrapa.

Vantagens - No caso do milho – variedade BRS São Francisco, a colheita na área onde não se fez uso do esterco alcançou 856 kg/ha. No local onde se aplicou o esterco, a produção deu um salto e chegou a 1584 kg/ha. Para o feijão – variedade Pujante, a situação se repetiu: 680 kg/ha e 1365 kg/ha, respectivamente.

Nos testes, a pesquisadora manteve os cultivos em condições semelhantes às que são encontradas nas propriedades dos agricultores familiares, que fazem uso da tecnologia de barragem subterrânea. Ou seja: não fez uso de qualquer insumo químico. Apenas, aplicou o esterco nas áreas a serem avaliadas.

As vantagens desse manejo ficam evidentes já antes das plantas alcançarem o ponto de colheita. Cultivados lado a lado, as plantas de milho ou de feijão submetidas à adubação orgânica (esterco de caprino) crescem mais rápido, chegam mais cedo à fase de floração e emitem mais vagens e espigas que indicam a antecipação das safras desses grãos. O resultado final é a produção maior com o emprego de uma técnica simples e barata, garante.

Agroecológico – Roseli recomenda que os agricultores façam uso do esterco disponível no curral das suas propriedades. Ao invés de deixarem acumulado no local onde prendem os animais ou mesmo venderem, eles deveriam priorizar o uso nos seus cultivos. No caso dos testes feitos nas barragens subterrâneas localizadas na Embrapa Semiárido, a aplicação de 2 a 3 litros de esterco por metro linear em cada cova semeada é o bastante para fazer aparecer bons resultados produtivos, afirma a pesquisadora.

Esta matéria orgânica melhora as características do solo ao aumentar os teores de elementos essenciais, que tornam a terra fértil, a exemplo do potássio (K), fósforo (P) e magnésio (Mg). De acordo com Roseli, o efeito do esterco não ocorre apenas na parte química do solo, ao aumentar os teores de nutrientes que melhoram a fertilidade. A ação também se processa na sua estrutura física e biológica ao misturar húmus e argila, de um modo que torna maior o que os especialistas chamam de Capacidade de Troca Catiônica (CTC). Isto quer dizer o seguinte: os nutrientes presentes no solo vão estar mais disponíveis para absorção pelas plantas. Quer dizer ainda que, desse modo, a umidade do solo se manterá por maior tempo.

O solo manejado de forma agroecológica, com esse material orgânico, abre novas perspectivas produtivas para a barragem subterrânea, garante Roseli. Esta técnica que capta e armazena água de chuva tem sido implantada em vários locais do Nordeste, por iniciativa de organizações não governamentais e instituições públicas. Em geral, os plantios são feitos sem técnicas de manejo do solo.

Alimentos - Para Roseli, combinando-se práticas de manejos de água e de solo com tecnologia como as barragens subterrâneas, chega-se a resultados que são fundamentais para quem vive da agricultura no semiárido: ampliação das chances de colheita, melhoria das safras de grãos e garantia da segurança alimentar das famílias nas áreas rurais.


Contatos:
Roseli Freire de Melo – pesquisadora;
roseli.melo@cpatsa.embrapa.br

Marcelino Ribeiro – jornalista;
marcelrn@cpatsa.embrapa.br

Embrapa Semiárido –  87 3862 1711 

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